abril 9, 2007

Bate que eu gamo

Com o advento das lutas de Vale-Tudo, o Boxe ficou um tanto quanto esvaziado para a minha pessoa. O afastamento de Balboa e Apolo Doutrinador das lonas já havia me desmotivado, o tempo passou e a falta de desorganização ficou total. Convenhamos, a graça de ver duas pessoas se enxugarem na bordoada atingiu níveis nunca dantes imaginados com a aparição dos embates em que tudo – quase tudo, vá lá – é permitido.

Popularizado, todo esse novo conceito transformou a milenar arte do pugilato numa prática quase infantil para os entusiastas da porrada moderna. Ninguém em sã inconsciência trocaria voadoras, joelhadas e cascatas de sangue por socos com luvas gigantescas intercalados pelo nefasto clinch. Em suma, o boxe passou a rivalizar em emoção com aquelas lutas com cotonetes gigantes em cima de uma trave.

Pensava assim até o dia em que me dirigi às dependências do número 629, da Rua 13 de Maio, no centro de Curitiba, capital do Paraná. Responde por este endereço o teatro Lala Schneider, e é claro que eu não estava lá para assistir uma peça. Eram jogados cinco de abril de 2005 e lá eu iria para engrossar a audiência de uma luta de boxe, aprumar minha opinião sobre esse esporte que a turma diz que não é esporte.

Desta feita, Rodrigo Abud não me acompanhava, visto que se encontrava em lugar incerto e não sabido. Ao meu lado, Eduardo Santana, bróder e jornalista, e Hugo Pontoni, também jornalista e responsável pelos cliques à meia luz que ilustrarão essa reportagem.

Soa o gongo

Na entrada, mandamos aquele carteiraço amigo para não pagar nada, afinal, apoiamos a causa do esporte amador. De quebra, ainda descolamos uma visão privilegiada, mesmo chegando muito depois de todas as pessoas que pagaram ingresso e disputaram uma cadeira bem posicionada. Não que eu me orgulhe disso, mas, acontece.

Eu nunca tinha ido ao Lala e fiquei muito bem impressionado com as suas instalações. Um teatro pequeno e aconchegante, em ótimas condições para abrigar um incêndio. Tomado por uma platéia ávida por boas combinações de socos. Senhores e senhoras de idade, moços e moças, despombalizados em geral.

Chegamos no desenrolar de uma luta amadora, aprumamos os nossos por ali e passamos a degustar o combate. Bastou apenas uma muca certeira para todo um conceito cair por terra. Que bífa!

-- Vamos lá, moçada! Podem se arregaçar...

-- Vamos lá, moçada! Podem se arregaçar...

Impressionado pela pujança do golpe, o óbvio ululante se adonou das minhas portas da percepção. Reitero: a turma xóxa a porrada sem lei. Assistindo pela televisão não se tem a real dimensão da potência das lapadas. Ao vivo são outros quinhentos.

No caso das lutas amadoras, os participantes utilizam aquele simpático capacete protetor, o que eu acredito não deva fazer muita diferença na absorção dos tiros, influindo apenas se grau 10 ou 9 de enxaqueca nas duas semanas posteriores à luta.

De bem com a verdade do boxe, aos poucos fui sacando os detalhes do espetáculo. Nada como uma parada roots. É claro que todos gostariam de dar um tapa na cabeleira do Don King em algum cassino de Las Vegas, especialmente aqueles que empregam um tutu na jogada. Mas o glamour da alta roda do boxe mundial certamente não tem o charme dos combates no underground. A começar pelo gongo manual, que recebe tratamento de diva nas mãos do responsável pelo tilintar obrigatório do esporte.

Gongo manual no aconchego

Gongo manual no aconchego

O pega amador se desenvolveu sem que houvesse um vencedor por nocaute, o que acirrou os ânimos dos presentes para as próximas lutas. Geral queria ver alguém beijando a lona “haja o que hajesse”. Nós também, claro. E essa expectativa tinha tudo para ser saciada com a disputa principal da noite. Nada melhor para anunciá-lo que a música tema de Rocky invadindo o recinto bombada pelos alto-falantes.

A hora e a vez do olho de tigre

De um lado, Macáris do Livramento, 44 anos, o vovô do boxe para os íntimos, 107 lutas, 104 vitórias e minguadas três derrotas. Seu oponente, o argentino Hiládio Gomes, 39 anos, desafiante, dono de um cartel com 69 lutas, 51 vitórias e 18 derrotas.

Seria o embate da experiência e técnica de Macáris contra a malícia portenha de Hiládio. E bastaram algumas sapateadas sobre a lona para ficar bem claro que o argentino seria um adversário deveras manhento. Mas ao que tudo indicava, o velho Maca não cederia à catimba do adversário.

Macáris, na espreita do hermano

Macáris, chimbando o hermano

Ainda na fase de estudos, percebeu-se que o gato Macáris caçaria o rato Hiládio, sem qualquer conotação homossexual ou preconceituosa. Mas apesar de postar-se na retranca – utilizando da arte do tango para compor sua ronda pelo tablado – Hiládio merecia todo o respeito de Macáris, que evitava lançar-se ao ataque esbaforidamente como bem faria Clubber Lang.

Soltava alguns jabs, cruzados, apenas cozinhandinho. Aos poucos, os golpes do dono da casa iam encaixando, e a cada boa seqüência, a torcida urrava em êxtase com a iminência de nuestro hermano deitar o cabelo. Literalmente, no caso.

Mas claro, se havia um Balboa canarinho, poderia haver uma versão argentina, certo? Era o que a torcida constatava, incrédula. Gomes adotara a velha e manjada tática do Garanhão Italiano, agredindo sem parar a mão de Macáris com sua face. E quando sua cidadela parecia vencida, e o mesmo prestes a desabar, eis que ele permanecia ereto, sufocando o grito preso na garganta da rapaziada.

Até que, no quinto round, o caldo engrossou para a representação argentina. Macáris apresentou todo o seu repertório de golpes pilando Hiládio Gomes. A torcida ficou de pé e aplaudiu o quase linchamento que, não se sabe como, não configurou em nocaute.

Sexto round e nada, lá estava Hiládio, faceiro, maroto, esquivando pendularmente das direitas e esquerdas possantes que furavam o sinal em sua direção. Eis que no sétimo round, o Lala Schneider recebeu o que queria: tá lá um corpo estendido no chão!

Nenêzinho dormindo

Nenêzinho dormindo

O juiz abriu a contagem e ultrapassados os dez segundos regulamentares decretou Macáris vencedor da luta por nocaute. Com todos saciados, o dono da festa puxou o microfone pra dar aquela maguilada tradicional.

Agradeceu o apoio inestimável dos patrocinadores e anunciou a próxima disputa da noite. Subiriam ao ringue Rosilete Santos – esposa de Macáris – e a argentina Anália Martinez.

Como diria aquele, nocautear sempre é bom, agora, nocautear argentino é muito melhor.

Sai que é tua, Adrian!

Que estréia, hein amigo? Se não bastasse a brincadeira menino contra menino, teríamos agora um menina contra menina. Haja coração! E em se tratando de um combate feminino, não se poderia esperar outra coisa que não a macharada em polvorosa.

Os apupos vindos da platéia refletiam em nervosismo no semblante de ambas as lutadoras. Enquanto Rosilete parecia sentir a responsabilidade de representar a torcida, Anália demonstrava estar um pouco assustada com a situação. Mas sabe como é, foi só a luta começar pra jiripóca piar e as damas partirem para as vias de facto.

Encrespou o lado

Encrespou o lado

Rosilete, no embalo da massa, partiu para cima de Anália, que tentava a sorte em raros contra-golpes. A pequenina desafiante suportava bem os ataques da brasileira. Os rounds foram passando sem que fosse possível prever um desfecho. Foi quando a voz da família brasileira entrou em ação e selou o destino da até então muralha inexpugnável Anália Martinez. Postado no córner – em dupla função, atuando como esposo e técnico – Macáris ordenou:

- Você vai ou não vai encher ela de porrada, Rosilete?

A platéia urrou com a frase, mas foi um gaiato qualquer que deu o impulso fundamental para o encerramento da luta, e fez o teatro explodir de vez ao complementar sabiamente:

- Rosilete, OUVE TEU MARIDO!

Ungida pela palavra amiga vinda das arquibancadas, Rosilete ajustou o olho de tigre e pregou a mão em Anália que envergou, fez que foi, não foi, e acabou fondo parar na lona. O amor vencia mais uma.

março 27, 2007

Bicho solto na areia

“Abud, será que é preciso passar protetor na genitália?”, pergunto, faceiro por tão curiosa ignorância e, ao mesmo tempo, temeroso com as possíveis conseqüências do que estava por vir. Afinal, cruzada a porta do vestiário – reparem, unissex – o sol comandava, reinando absoluto num céu azul alucinante.

Era sabadão, quase dez horas da manhã, e nossa brodagem em nome do jornalismo geraldino era retomada na Praia do Pinho, Santa Catarina, principal ponto naturista do nosso Brasilsão de Deus.

Pouco mais de 200 quilômetros em marcha ré, eu taxiava em frente à residência de Abud, em Curitiba, capital do Paraná, no início da manhã, saudado com o cantar dos pássaros, numa preguiça desgraçada. Quase nada perto da convicção de que a aventura pelado, com nada que se tem direito, seria muito boa.

Destino: nu
Cumprimos o pequeno trecho Curitiba-Camboriú na ponta dos dedos, embalados pelo mítico rock, este ritmo insinuante que faz a cabeça dos jovens. Se não fosse por uma disputa bem pegada com um tiozão e sua senhora, a bordo de um Fiat Hundred Forty Seven creme, poderíamos afirmar que a nova matéria se anunciava numa tranqüilidade incomum.

A hundred 47, veloz e furioso

Hundred 47, veloz e furioso

Pois foi só embicarmos na única entrada para o recanto naturista, estacionarmos na cancela – o parque peladeiro é dividido do “mundo normal” – para, enfim, sentir a adrenalina consumir as veias. Neste caso, reação um tanto previsível, considerando que em questão de minutos nos veríamos na responsa de chamar no Adão. Assim… tal e qual amarrar o tênis.

Sem demora, passamos as caras com a segurança, que nos permitiu o acesso, facilitado pelo esquema armado na véspera. Faltava então, como obstáculo derradeiro, bater um papo com nosso contato na área: Alessandra, gerente da Pousada e Camping Praia do Pinho, estabelecimento que, junto com um restaurante, reina absoluto na área.

Antes de última barreira já avistávamos, bem ao longe, corpos despidos flanando na areia. Contudo, nada comparável à cena que viria. Foi eu frear a rodonave, eis que surge de trás do muro, vindo em nossa direção, um 100% desinibido rapaz com seu pênis a pendular. Olhar absolutamente destreinado, foi impossível não notar e, claro, se incomodar. Acabamos por cair numa risada extremamente nervosa, o estopim para uma possível queimada de filme que, certamente, despertaria desconfiança.

Sabendo disso, derrotamos rapidamente o choque, controlamos os impulsos e fomos digladiar com Alessandra. Prontamente, sacamos de nossas credenciais e intenções. “Olá, tudo bem? Eu sou o André, ele é o Rodrigo, somos jornalistas, essas são nossas carteiras. Sabe como é, deve pintar todo tipo de aventureiro por aqui. Viemos fazer a matéria que eu te falei ontem, lembra?”.

Rumo ao vento nas partes

Rumo ao vento nas partes

Sem dar muita importância, e com um ar meio cabreiro, a jovem loura seguiu o combinado e convocou Valdir Nei de Melo, 49 anos, principal autoridade do local na posição de presidente da organização não-governamental Naturistas da Praia do Pinho (ONPP). Seria ele o responsável por nos acompanhar e mastigar as informações e regras da praia.

Com o mesmíssimo figurino que ostentava há cerca de cinco meses, Valdir nos recebeu. Corpo rotundo de tiozão, sacão balangando bonito e na pele castigada do sol a confirmação de que ali estava, sem dúvida, o general da quebrada. Tomado o primeiro jab no round anterior, assimilamos o golpe numa boa: sem crise nenhuma conversar com um total desconhecido despido e, conseqüentemente, de arma apontada (não engatilhada) para nós.

Valdir, the bull of nudism

Valdir, the bull of nudism

“E aí, Valdir? Seguinte, estamos fazendo uma reportagem sobre naturismo. Gostaríamos que você apresentasse o local, como funciona etc, certo?”. No que ele respondeu. “Sem problemas. Mas tem um detalhe, nesta faixa de areia em frente à pousada a nudez tem que ser total”.

Vestidos com os óculos de sol
O aviso do presidente de que a partir de então teríamos que chamar no Adão era tudo o que nós queríamos ouvir. Viajamos para isso. Mas quando a bola está na marca da cal, com o Maraca lotado, jogados 47 do segundo tempo, é impossível não rolar uma aflição. Sem contar que, em nome da promoção, do registro jornalístico, facilmente conseguiríamos uma permissão para circular com o material ensacolado.

Com o intuito de amadurecermos a idéia antes de manobra tão ousada, pedimos um break ao nosso guia e, enquanto ele retornava para a areia, fomos tomar a decisão. No entanto, nem foi preciso o parlamento, pois, com grande sensatez e após muita reflexão, Abud mandou. “Foda-se, vamos nessa”.

Contraste nos bronzes

Contraste nos bronzes

Foi nesse momento que nos deparamos com a primeira grande diferença do mundo naturista para o universo degradado, hostil, capitalista falido das aparências. Ao contrário do que geralmente acontece quando se vai desprevenido ao mar, não foi preciso descolar um mocózinho ou organizar a tradicional paredinha de toalha para trocar o modo underwear pelo bermuda (sunga não) ou biquíni. Dessa forma, fomos ao vestiário (unissex, faz total sentido), tiramos os tênis, meias, camiseta, bermuda, é um, dois, três e… pronto, óculos de sol e nada mais!

A sensação de ficar peladão em público é sinistra – vestiário é fichinha. Simplesmente, ali está você, com o aparelho genital na vitrine, e um monte de gente que sequer trocou um rápido cumprimento com a sua pessoa na escadaria do prédio, tomou um Minuano gelado na mercearia ou, sei lá, sentou ao lado no colégio.

Não que essas situações prosaicas sejam o suficiente para tirar a roupa na frente de alguém. No início, e em algumas bad trips no decorrer do período, é algo que parece ser a realização daqueles pesadelos em que se está nu, sem ter como se defender, no churrasco de quinze anos de formatura do primeiro grau. Contudo, voltemos aos fatos.

Era chegado o momento de Pugliesi e Abud invadirem o terreno da Praia do Pinho. Para tanto, íamos nos deparar com a segunda grande diferença do mundo naturalista. Como está na abertura desta reportagem, assim que ficamos só na carcaça, e diante dos potentes raios solares, inquiri: “Abud, será que é preciso passar protetor na genitália?”.

A necessidade de besuntar rosto, costas, dorso, braços e pernas todo mundo sabe. Mas alguém já ouvir falar por aí que é importante cobrir a aparelhagem se for mostrá-la ao sol?

Creio ser meio óbvio que sim. Porém, pelas barbas do profeta, não está escrito em lugar algum! Olhei no verso da embalagem e não tinha nada do tipo: “ao praticar nudismo, homens lambrecar o pênis, mulheres a vagina. obs: dependendo da atividade, untar o ânus”.

Sendo assim, após a pintura básica, aplicamos uma demão ligeira nas nádegas e somente um tapa no guri. Vai que cai, melhor não mexer com o desconhecido. E assim, servidos ao óleo branco e portando apenas as lunas (exceto pelas chaves do carro, carregada na mão), fomos à procura de Valdir em seu habitat, literalmente, natural.

Formando o bonde nudista
Embicamos no corredor para a areia como se estivéssemos prestes a pisar o gramado do Estádio Azteca na final da Copa de 70 – pressão frenética com a iminência de trocar uns passes com o Crioulo. No entanto, bafejados pela sorte, avistamos a barraquinha de Valdir logo em frente, e lá nos abrigamos para um conveniente tempo de aclimatação. Eles que aguardem – ou imaginavam que ia ser fácil nos tirar pra baitola? (o que fazem dois marmanjos passeando desnudos numa área para casais?).

“Vou explicar pra vocês basicamente como é a divisão. Primeiro, lá no começo, do lado esquerdo (olhando para o mar) é livre, pode ficar ou não pelado. Pra cá das pedras é a zona de adaptação. E, da marca até o final, do lado direito, são permitidos apenas casais. E totalmente nus”, mapeou Valdir, destacando que, em se tratando de um espaço público, as pessoas podem entrar e sair a hora e como quiserem. Entretanto, são aconselhados a colaborar, chamando no Adão e Eva ou, para manter a paz, ralar o peito. “Dificilmente alguém não compreende”, completou.

Comum mesmo é a pilantragem querendo aproveitar a liberdade das vestes para se entregar aos prazeres do vuco-vuco. Neste caso, Valdir cresce pra cima de si mesmo numas de meganha e interpela quem estiver faltando com a ética. “Primeiro eu chamo a atenção, como no caso de uma ereção. Depois tenho que pedir para se retirar”. Na manha, sempre, até porque, ali o desguarnecimento é geral.

Se liga na missão

Se liga na missão

Ciente das regras básicas, formamos o bonde para dar uma geral nas areias do Pinho. Assim, nós fomos, com Valdir elogiando a beleza natural do local, destrinchando um pouco mais do manual de conduta, salientando as ações da ONG, enquanto eu e Abud só naquele maroto “nossa, que legal, é mesmo”, ao passo que, em nossa mente, ressoava o grito “porra, tô nude!”.

Mas sabe como é, malandro. Baita brisa refrescante nas partes, o sol como testemunha, o mar azul e convidativo… com o tempo você relaxa total. Até porque, todos compartilham da mesma condição, e esse é o segredo para ficar numa boa. Além do mais, ninguém fica mirando as partes pudendas alheias – não na hard face, pelo menos.

Foi quando estávamos bem sossegados, caminhando e molhandinho o pé na água, ansiosos pelo mergulho, que Valdir nos impôs uma tarefa insana: atravessar, pelas pedras, até o outro lado do recanto naturista, onde se pode tirar ou não a roupa. É sabido que transitar pelas rochas não é simples, tem o tão temido limo, os saltos, entre outros obstáculos perigosos. Agora, que tal fazer isso sem qualquer blindagem?

Curtição restrita

Curtição restrita

A poucos metros da escalada, com Valdir à frente, já começou a briga por posição entre eu e o Abud. A colocação mais perigosa já estava assumida, a de maquinista, restava agora a briga para não ser o vagão do meio. Daí ficou tipo em largada de Fórmula 1, com os carros zanzando de um lado para o outro, driblando. Seria até antiético eu revelar quem ficou na intermediária, mesmo porque durante a longa jornada rolou uma alternância, sempre com o espaço mínimo rigidamente respeitado.

Concluído o desafio, deixo a dica para os rapazes quanto ao melhor procedimento para o salto nas pedras: se for dar um vôo extenso, da última rocha para a areia, por exemplo, antes colha a bolsa escrotal com as duas mãos, como se estivesse na barreira no jogo de futebol. Aí sim, salte. Point totalmente escaneado, e verificado que do lado de lá só havia homens e um clima de flerte gay violento, poderíamos enfim salgar o couro.

Prazer vs. Observação
A prática da natação estilo como veio ao mundo é certamente o que há de melhor. As únicas contra-indicações são o surfe de peito (o popular jacaré) no raso e a constante aparição dos “peixes-moicano”, quando o pessoal ergue muito a nádega para furar a onda. Fora isso, é um espetáculo ficar lá, por horas, flutuando, literalmente livre, leve e solto.

Mas o prazer teria de ficar de lado em nome da apuração. Voltamos para a areia para catalogar os tipos e, desa forma, concluir os trabalhos. “A maioria dos freqüentadores se encontra na faixa dos 35 aos 45 anos, são casais com a família, e vindos de Santa Catarina, principalmente, São Paulo e Paraná. Mas temos muitos jovens também”, nos disse depois Anílton Bitencourt, um dos proprietários e administrador da Pousada & Camping Praia do Pinho (que compreende ainda um quiosque e o estacionamento).

Vista aérea da peladeira

Vista aérea da peladeira

Apesar do pouco comparecimento do público – nossa empreitada foi realizada uma semana após o carnaval, feriado top de visitação na temporada – notamos exatamente isso, filmando o movimento confortavelmente sentados em uma toalha para evitar um possível ataque de siris pela retaguarda. E aí, completamos o álbum de figurinhas: tinha pomba cabeluda, careca, linguiça toscana, salsichão, pepino, peito grande, pequeno, farsante, tudo bem sortido para o gosto geral.

Todos convivendo pacificamente. Não por acaso. “Para praticar o nudismo, a pessoa tem que ter cabeça aberta, bem resolvida, o que é mais comum nessa idade”, apontou com precisão, novamente, Anílton, largamente experiente apesar dos 25 anos.

A propósito, o encontro com o grande empreendedor do nudismo foi bem engraçado. Vale uma digressão. Fomos informados que ele estava no quiosque, sendo assim, eu e Abud nos dirigimos até lá. No caminho, dois homens vinham no sentido oposto: um cinquentão, pança notável, cabelos e barba compridos, aquele naipe hippie clássico; enquanto, quase ao lado, um gurizote com pinta de surfista e calçado em bermudas, chinelos e camiseta. Logicamente, fomos seco no tiozão, pensando ser Anílton. Ledo engano. O simpático manda-chuva não é adepto do pintofree, segundo ele, para manter um distanciamento profissional.

A fome já castigava, então fomos almoçar. E no restaurante, fora da pousada (que possui um amplo refeitório), bate aquela bad trip. Pois lá, fora da faixa da areia, é cada um por si. Muita gente não fica pelada. Alguns vestidos normalmente, outros de toalhinha, e poucos em pêlo. O que acarreta cenas engraçadas. Como da família almoçando, muy respeitosamente, sentada na mesa, ao passo que volta e meia um pênis margeia perigosamente o prato. Coisas da vida naturista.

Feita a digestão, partimos de peito aberto para mais uma longa salgada no esqueleto, para a refrescada final. O sol já sumindo, ventinho gelando, resolvemos que era tempo de cobrir o corpo e pegar a estrada. Quase dois anos passados da última reportagem, a nova fase estava definitivamente inaugurada. A lamentar, apenas o fato de não ter rolado o incrível vôlei de praia pelado. Quem sabe numa próxima jornada…

março 4, 2007

Celebrando a sacanagem

Um breve prólogo…

Há 34 anos, o concurso Bem Bolada é a principal opção em matéria de putaria no carnaval curitibano. Literalmente. Para os fanfarrões de primeira viagem, e para aqueles que não são da área, o concurso elege a garota de programa mais bonita, gostosa, jeitosa, em suma, a moça mais completinha da capital paranaense. Representantes de quase todas as boites da cidade e região metropolitana pisam e sambam na passarela em busca do título máximo do ramo.

Realizado no Crystal Palace, domingo da festa momesca, o evento teve como vitoriosa a candidata Juliana Antonele, alegados 21 anos, representando a Sex Night Club. Entre toda sorte de tipos femininos, Juliana Antonele, sem dúvida, era uma das mais bonitas. No entanto, muito se comenta nos bastidores quanto à lisura dos resultados.

Enfim, se há dúvidas quanto à credibilidade do júri, especialmente entre as concorrentes, pelo menos ele é composto da mais variada gama de personalidades. Constituíam o corpo de jurados do Bem Bolada 2004, gente do quilate de um Roberto Hinça, apresentador de tevê renomado, o radialista Jotapê, contando ainda com um belo apanhado de figuras estranhas e jornalistas em estado avançado de embriaguez.

Jotapê e Abud. Abud e Jotapê.

Jotapê e Abud. Abud e Jotapê.

A apresentação do evento ficou a cargo de Cândido de Oliveira, brilhante repórter do programa Ricardo Chab. Candinho, para os íntimos, mostrou enorme categoria na condução do campeonato, fazendo às vezes de apresentador, animador de auditório e, quando necessário, comandou o rebolado das candidatas até o chão, tal qual um passista de escola de samba dos mais experientes. Só faltou o pandeiro.

Como de praxe, destaquei o intrépido Rodrigo Abud para me acompanhar na cobertura. Abud, que de bôbo não tem nada, animou-se e aceitou prontamente. Afinal, não é de se desperdiçar a chance de cobrir algo, ou alguma coisa, no funeral, perdão, no carnaval curitibano. Ainda mais numa festa de garotas de programa, onde as chances de cobertura, em cash ou não, aumentam consideravelmente. Abaixo, nossas impressões sobre o Bem Bolada 2004…

Ninguém é de ninguém, todo mundo é de todo mundo
Chegando ao evento, constatamos que, caso não rolasse o famoso trenzinho de carnaval, esta instituição brasileira, certamente as risadas estavam garantidas. Já na portaria do Crystal Palace, a fauna humana e exótica dava o ar da graça, provando ser o Bem Bolada um evento para uma platéia selecionada. Em meio a um público majoritariamente masculino, destacavam-se tiozões exalando naftalina, jovens ouriçados e vovôs-garoto, não me perguntem como, muito bem acompanhados.

Algumas moças sozinhas também decoravam o ambiente, todas com o pecado estampado na face. Mais adiante, no transcorrer do desfile, descobriríamos que não só a fauna, mas também a flora do local era bastante exuberante. Mas isso é assunto para algumas linhas abaixo.

Pagamos ingresso, concordando que 10 mangos tratava-se de um preço justo para um evento de tamanha magnitude. Além do mais, quitando o ingresso estaríamos contribuindo para a manutenção do Bem Bolada como o bastião da marotagem no carnaval curitibano.

Passando pela revista, sentimos o bafo de zona que se adonava das dependências, fenômeno bastante compreensivel em se tratando da natureza do evento. Em tempo, louve-se a disposição e o profissionalismo dos seguranças em apalpar uma rapaziada excitadíssima para apreciar as candidatas. Como bons pândegos, eu e Abud caímos matando na pista de dança, recepcionados pela tecnêra irada que bombava dos alto-falantes.

Tsum-tsa, tsum-tsa, tsum-tsa

Tsum-tsa, tsum-tsa, tsum-tsa

Depois de nos esbaldarmos com os hits eletrônicos mais cafajestes da night, bailamos ao som da banda residente  Não me recordo o nome do grupo, uma sub-banda de formatura, daquelas que tocam a nata das músicas lamentáveis do rádio para os mais novos desempregados da sociedade.

Lembro-me apenas de um belíssimo afro-brasileiro arrepiando, pra variar, no contra-baixo. Muita porcaria e algumas saudosas marchinhas depois, Cândido de Oliveira subiu ao palco para dar início aos trabalhos.

Candinho, a fogosa Kendrya e a Madrinha abusada
Estrategicamente posicionados à beira do palco, não contávamos com a desorganização do evento. Com muita educação, é verdade, Cândido de Oliveira solicitou que a massa ereta que tomava conta da pista sentasse no chão para não obstruir a visão dos cafetões, digo, do pessoal das mesas que estava atrás. Diplomaticamente, acatamos as ordens, afinal, ainda assim teríamos uma bela visão do desfile. Mas tinha mais.

Nada como estar bem posicionado

Nada como estar bem posicionado

Mostrando que tudo havia sido minuciosamente planejado, a organização ordenou que a plebe, digo, o pessoal sentado no chão se afastasse para dar lugar às mesas dos jurados. Com a mesa do júri à frente ficaríamos com a visão deveras prejudicada, não podendo relatar com fidelidade o desfile. Sendo assim, fomos obrigados a descolar um espaço mais adequado.

Terminados os reparos logísticos, Candinho chamou ao palco Kendrya, uma menina muito extrovertida que as más línguas diziam ser prostituta. A moça subiu ao palco para divulgar seu ensaio de fotos ousadas para a revista Área Vip Brasil e, para o deleite da audiência, aproveitou o ensejo e proporcionou um preview do conteúdo editorial. Me senti num fim de feira, onde melões eram disputados avidamente e até um bacalhauzinho sobrou pra alegria turma.

Candinho e Kendrya, muy fogosa

Candinho e Kendrya, muy fogosa

Para entreter e aplacar a ansiedade do público, Candinho usou e abusou dos dotes sambísticos da Madrinha do Bem Bolada. A moça bailou sem parar, no aguardo da preparação das candidatas, com intervalos rápidos para os mais diversos agradecimentos.

Há duas horas dançando desnuda ao lado do mestre de cerimônica, a ferinha não escondeu a expressão de insatisfação ao saber que, a dança ainda teria de continuar. Sacando o descontentamento da estafada passista, mostrando incrível timing, perspicácia e atenção aos mínimos detalhes, Candinho soltou a pérola da noite: “Que beleza, já tá de topless…”

Depois dessa, restou ao êmici anunciar, com pompa e circunstância, os responsáveis pela escolha da legítima representante da noite curitibana. Com os jurados em seus lugares, o populacho espremido e as torcidas animadas, finalmente, foram chamadas as concorrentes.

Demorou, mas valeu a pena. Um sem fim de plumas, paetês, purpurinas, nádegas, seios e genitálias semi-desnudas descortinaram-se perante os olhos atônitos da platéia. Pura luxúria, marotagem e saliência. Um espetáculo erótico-carnavalesco empolgante.

Passarela erótica

Passarela erótica

Dá-lhe mexe-mexe, bole-bole, sobe-e-desce, desce-e-sobe. Todas as candidatas tiveram a oportunidade de exibir seus dotes artísticos e genitais para os jurados. Primeiro, coletivamente. Depois, em vôo solo. Sambaram à vontade. Afinal, para uma escolha de tamanha envergadura, faz-se necessário muito detalhamento.

Para uma melhor visualização, algumas candidatas mais soltinhas, ou desesperadas, como queiram, não se contentaram em exibir apenas a malemolência no samba, exibindo-a também toda a documentação. Aliás, se não fosse por essas meninas festeiras que apresentaram CIC, RG e comprovante de residência na passarela, o Bem Bolada não passaria de um concurso de beleza comum.

Eu nem precisaria dizer que a o público ia ao êxtase com as meninas esbaforidas. Inclusive, não posso deixar de destacar um bróder, que estava ao nosso lado, trajando uma camisa social branca, não muito passada, de vistosa cabeleira black que, a todo momento, ordenava com incrível intimidade: “Cândido, manda elas tirarem a roupa!”.

Finalizado os desfiles, as candidatas recolheram-se aos suntuosos camarins para aguardar a apuração dos votos. Não demorou muito e o resultado veio à tona sem grandes surpresas.

Bianca, do Café Paris, foi eleita Miss Simpatia. A eleita para Segunda Princesa foi Patrícia Guedes, do Café Paris. Por último, nos prêmios de consolação, Priscila Veiga, do Saara Café, faturou o título de Primeira Princesa. Interessante notar pelo resultado como os cafés de Curitiba estão a cada dia com atrações mais ousadas.

O tão aguardado resultado do troféu principal veio em seguida. Cercado pelos jornalistas, Candinho anunciou Juliana Antonele como a Bem Bolada do carnaval 2004. A moça, bastante contida e tímida, posou para as lentes dos fotógrafos, deu entrevistas, mas não atendeu ao apelo da platéia por um algo mais. Manteve-se vestida mesmo nos momentos de euforia pela conquista do título.

Juliana, como diria o Patrão, muito bem bolada

Juliana, como diria o Patrão, muito bem bolada

Chegava ao fim a tradicionalíssima competição. Alguns reclamavam do excesso de pudor da maioria das candidatas. Eu e Abud, ainda atordoados pela estréia no fantástico mundo da putaria momesca, deixamos para repercutir o concurso com mais calma e, tranqüilos, relatarmos a experiência para vocês.

Como já disse, exceto por algumas meninas mais acaloradas, não se confirmou a putaria generalizada como muitos sempre apregoaram. Profundo conhecedor da folia brasileira, posso garantir que as chances de deixar o vovô, a vovó e a menina ingênua morrendo de vergonha com o carnaval são bem maiores em qualquer praia do Brasil.

A profusão de danças sexuais e versos chulos no Bem Bolada é infinitamente menor. A diferença, a favor do Bem Bolada, é se tratar de um concurso onde a rapaziada deixa a hipocrisia de lado e celebra pacificamente a sacanagem há 34 carnavais.

setembro 20, 2005

Encaçapados na quebrada

Um breve prólogo…

Sempre que eu e Abud partimos rumo ao desconhecido carregamos uma máxima: independente do resultado da empreitada, o importante é preencher o livrinho da vida. O que não pode é apontar na reta de chegada com um pocket book debaixo do braço.

Tem que ter história pra contar. E isso não nos falta. Nossa parceria já rendeu páginas e mais páginas, boa parte delas aqui publicadas. Teve de um tudo. Geral chamando na hands num cinema pornô, xoxação desenfreada numa casa de swing, salves no encontro Racional, fervo na pista da melhor idade, entre outras peripécias. Tantas emoções, porém, poucas comparáveis as que eu destrincharei na seqüência para vocês.

Abud mandou a pauta pelo msn: participar de um torneio de sinuca modalidade bola oito. Até aí, grandes merda. Mas aguardem. A parada tinha tudo para ser nervosa a começar pelo local de sua realização, a Associação de Moradores Moradias Cajuru. Traduzindo para quem não é da área, o Cajuru é o bairro mais violento de Curitiba, seguido de Boqueirão, Cidade Industrial e Sítio Cercado.

E embora soubéssemos desse fato desde o princípio, só ligamos o nome à pessoa quando pintamos nas redondezas. Mas, voltemos. Outro aspecto que indicava uma matéria interessante tratava da premiação: 500 reales para o campeão, 250 para o vice, 150 para o terceiro e 100 para o quarto. Não que nós pretendêssemos engordar o numerário – dada a nossa total inexperiência no assunto – mas jogar valendo dinheiro teria um gostinho pra lá de especial. Para nós então, que rasgaríamos gloriosamente os 20 mangos da inscrição, seria uma delícia. Fechou a questã. Dia 10 de setembro, nós voltaríamos às ruas.

Colocando as bolas na reta
Nasceu o sábado, com a capital paranaense lindamente ensolarada, telefonei para o parceiro a fim de acertarmos a diligência. Foi quando ele me informou que alguns participantes do certame estariam num determinado bar, aquecendo os tacos entre um chocomilk e uma Sete Belo.

Localizado na República Argentina, avenida que faz parte do itinerário costumeiro de Abud, o boteco foi o grande responsável pela idéia da matéria. Voltando para o lar num dia qualquer, a fera visualizou um chamativo cartaz de divulgação e teve o estalo.

Como o início da competição aconteceria somente às 19 horas, desembarcamos no ponto de encontro ao final da tarde para nos adonarmos do clima do bilhar de alto rendimento. Só não contávamos com a decepcionante audiência, encontravam-se no local meia dúzia de dois ou três bêbados. Mas foi coisa de Deus. Só por ele, a mesa de sinuca estava vazia e pudemos azeitar as articulações cutucando as pelotitas coloridas. Três fichas e algumas Wimis depois, nossos perfis como atletas de bilhar eram os seguintes:

Pugliesi: nas três partidas abriu larga vantagem. Deu chapéu, pedalou, bola no meio das pernas e drible da vaca no começo. Porém, sucumbiu nos minutos finais nas três oportunidades. Jogo pouco consistente.

Abud, esquentando o tamborim

Abud, esquentando o tamborim

Abud: começou muito mal três vezes, mas virou nos últimos instantes. Compensou o ataque deficiente com uma boa defesa. No entanto, assim como André, praticou um jogo sem ritmo.

Preocupados com a possibilidade de desclassificação sem encaçapar uma única bola, emendamos uma resenha com o dono do estabelecimento, que também participaria. Teríamos alguma chance? João Santos amenizou. “É muito bem disputado. Tudo pode acontecer”.

A nosso favor, o fato de as mesas serem pequenas, o que sabidamente amplia as chances dos jogadores de pouca técnica e muito vigor. Cientes da impossibilidade de faturar o cascalho, alimentamos a idéia de, quem sabe, meter duas bolas na trave, caprichar no chuveirinho, dividir todas e nos retirarmos, honrosamente, perdendo de pouco.

Para completar o vislumbre, questionamos João sobre os favoritos. “Tem gente muito boa que vai participar. Acho que Grilo e Carlão são os com mais chances de vencer”, apontou.

Dono de bar e ostentando uma boina branca, no melhor estilo Rui Chapéu, João Santos não chamou para si a condição de cover do mestre sinuqueiro, justificando a inclusão dele fora dos possíveis vencedores. “Eu vou mais para participar. Devo ir lá pelas oito horas, se quiserem levo vocês lá”. Agradecemos a gentileza, mas, novamente, decidimos antever o lance, ingênuos na pretensão de encontrarmos facilmente a associação de moradores.

Trutas e quebradas
Foram necessários três pit stops de informações para sabermos que ainda tinha muito chão pela frente. Era preciso descer a Luiz França, virar à esquerda após o depósito de gás, virar à direita dois cruzamentos adiante para, então, seguir cinco quadras até o destino final.

Até a última entrada, a rodonave escorregava macia na via asfaltada. Entretanto, quando avistamos a rua João Crissóstomo da Rosa, o Bronx desabou sobre a paisagem. Uma viela estreita, chão batido, muitos bares e igrejas, rapaziada pela rua em meio às casas amontoadas. Abud cravou. “Broncas legais!”. Mergulhamos em busca do número 200 e o encontramos quase no final do caminho, vizinho de uma pracinha de periferia modelo standard.

Fuca-bala fazendo a contenção

Fuca-bala fazendo a contenção

A Associação de Moradores Moradias Cajuru não difere de nenhuma das milhares de associações de bairro Brasil à fora. Um galpão modesto de fundos, mesas e bancos compridos de madeira espalhados. Ao centro, lá estavam as estrelas da noite: três mesas de sinuca confeccionadas pelos bilhares Celli. E a moçada estava se pegando bonito nas tacadas. Just for fun.

Em volta de cada mesa, 10, 15 homens travando jogos de curta duração e alta intensidade. Sem demora, eu e Abud fomos até a mesa de inscrição: 20 reales uma chance no campeonato, 30 duas. Conscientes, ficamos com uma. As tratativas foram com o segundo João da noite, Joãozinho, o organizador da brincadeira de perder dinheiro.

Simpático, nos tranqüilizou geral. “A rapaziada vem mais para se divertir. É sossegado. E lá fora deixei um menino meu pra cuidar dos carros”, revelou o cabeça. Embora fosse pouco provável que alguém ali estivesse disposto a marotear com 500 pratas na berlinda, baixamos a guarda e ficamos mais à vontade.

No celular, Dude Munhoz chamando. Colunista do Bule e catedrático em punk rock, Dude comporia o staff do Jornalista de Merda no evento, e carecia de dicas para nos encontrar. Depois das informações mais lazarentas possíveis, eis que minutos depois ele adentra faceiro ao recinto.

O vô de Dude tinha mesa de sinuca em casa, o que gabaritava o netinho como o nosso ponta-de-lança. Lamentavelmente, contrapondo à alegria de sua presença, veio logo a decepção. Por conta de um compromisso posterior, nossa grande esperança ficaria de fora. Sem Dude, as chances de promovermos um brilhareco ficaram reduzidíssimas. Enfim, iríamos de prata-da-casa mesmo.

A preços justos, eram oferecidos quitutes e bebericos, gentilmente servidos pelas crianças da área, tirando onda de garçons. No entanto, preferimos um regime severo para não ter que lidar com algum imprevisto de ordem intestinal na hora de aprumar o pau e matar as bolas. Já Dude, agora na condição de técnico, não se fez de rogado e degustou a popular carne assada. Aprovou. “Muito bom. Tradicional tempero de igreja”, avaliou o professor.

Dude, se entregando aos prazeres da carne

Dude, se entregando aos prazeres da carne

Mas o tempo passava e nada. Não víamos a hora de nos digladiarmos no feltro verde. Inscrições mil, entra e sai de pessoas, vanerão rachando as paredes, sauna de cigarro e bolas espocando sem parar aditivavam a ansiedade. Sem contar as diversas figuras caóticas que apareciam e desapareciam, tornando o ambiente tenso em alguns momentos.

Menos mal, em se tratando do público, o melhor estava por vir, segundo João Santos. “Depois da meia-noite começa a chegar mulher bonita”, disse. Era a promessa, já que até o momento poucas moças perfumavam o ar carregado de cana, cigarro e tosqueira.

Depois de corridas quase duas horas de espera, finalmente o bagulho ia ficar frenético. João cresceu na organização e chamou o sorteio. Eram mais ou menos 28 inscritos. Os que não eram donos de bar, eram amigos do dono. Resumindo, de zé mane só eu e o Abud mesmo.

A praça esportiva

A praça esportiva

Em cima de uma mesa, burburinho rolando, veio o primeiro nome a pular da cumbuca: André! Não pasmei. Seria surpreendente se meu nome saísse por primeiro para ganhar algum tipo de prêmio. Nesse caso, normal. Que fase. Segundo nome: Mário! Pronto, estava configurada a primeira eliminatória.

Sem demora, Dude surgiu me oferecendo um taco já devidamente auferido no teste de rolagem sobre a mesa. Aceitei e já fui criando intimidade com o meu instrumento. Soou a convocação e eu atendi imediatamente. Mas não é que o tal Mário, aquele, simplesmente escafedeu? Pensei comigo, um a zero pra mim no W.O. e já estou no lucro. Até que se desfez o mistério. O garrancho pariu um Mário, mas era Márcio, simplesmente um dos organizadores do torneio.

Me mata de vergonha

De canto de olho eu já tinha observado o estilo do meu oponente. Me chamou a atenção algumas bífas que ele tinha desferido. Tacadas que se fossem dadas por mim as bolas seriam lançadas para fora do estádio. Espertamente, cheguei no adversário para tentar arrefecer os ânimos. “É a primeira vez que participo de um campeonato, vim mais pra ver qual é. Até porque não jogo nada”, comentei. No que fui secamente respondido. “Tranqüilo, não tem problema”, disse meu oponente.  Traduzindo: foda-se, é claro que teria problema. Para mim, óbvio.

Tentando posterga-los o máximo possível, trabalhei para que Márcio desse a tacada tradicional de estouramento das bolas. Afinal, malandro que é malandro não estoura. Agredidos, os números se espalharam pela mesa e era chegado o momento do meu lance inaugural. Espalhei o giz com muita malícia no mamilo e fui pra dentro.

Resultado: espirrada clássica! Foi quando tombou meu jipinho. Eu já não tinha o handicap técnico, e agora perdia totalmente o psicológico. Pra piorar, no meu box, Dude e Abud – aqueles que deveriam me apoiar – choravam de rir do début vexaminoso.

Pugliesi, sendo abatido

Pugliesi, sendo abatido

Márcio não teve piedade e voltou esvaziando a mesa. Uma, duas, três, quatro, cinco bolas em seqüência na caçapa. Digamos que a partida havia se tornado um tanto quanto complicada para a minha pessoa. Sem pânico, chamei na humildade e passei a vez. Meu objetivo agora era humildemente acertar as bolas. Só. Não mato as minhas, mas também não entrego pra ele.

Tática que não era tão simples. O nervosismo produzia suor e o taco não deslizava entre os dedos. até que, finalmente, Márcio pôs a bola oito pra dormir, sacramentando o meu revés. Com a disputa em melhor de três fomos para o segundo e derradeiro embate. Desta feita, não tomei uma tunda, esteve mais para uma piaba.

Mas nada que tenha ofuscado minha única bola matada nos dois confrontos, produzida por acaso num belíssimo telefone. Bati na três que chocou-se com a sete que carregou meu alívio pela canaleta do túnel. Missão cumprida. Ao natural, meu algoz finalizou a partida e dirigiu-me cumprimentos cordiais.

Farofa passou a lingüiça
Eliminado, fui para a arquibancada e assumi a reportagem fotográfica. Com a palavra, literalmente, a bola da vez: Rodrigo Abud. Ele conta como foi…

“Eis que vem à tona o meu jogo. Iria enfrentar o Farofa, um adversário marrento que atuava com uma luva preta sem dedos na mão esquerda. Todo cheio de nove hora. Não quis nem saber e fui pra cima, já que não tinha nada a perder. A grana da minha inscrição estava nas mãos dos organizadores e só me restava fazer pose de jogador profissional.

Abud, mirando a bichinha

Abud, mirando a bichinha

Começo da partida – não vou negar – estava um pouco nervoso, afinal, nunca tive mais do que três ou quatro pessoas observando minha arte de desempenhar bola oito. No torneio o público era grande, e ainda tive o azar de cair na mesa principal, que apelidei de Maracanã, pelo fato do povão estar fervendo ao redor.

Para me precaver, encostei no jovem e solicitei. “Vai de leve”. Bolas estouradas, minha primeira intervenção foi forte e certeira, bola seis na caçapa do canto. Senti que o adversário tremeu na base, vendo o dinheiro da sua inscrição, assim como o prêmio, batendo asas. Tanto que retrucou. “Vai de leve você”.

Mas como toda máscara tende a cair, a minha caiu em seguida. No decorrer da peleja só bati bola, enquanto o Farofa ia fazendo das suas e guardando na caçapa. Até tive chances de emburacar mais as meninas, mas parti para o estilo violento e não obtive êxito. Resultado: o adversário matando a oito e eu com seis bolas na mesa.

Segundo jogo, agora com o Farofa mais tranqüilo, sabendo que eu não era de nada. Dessa forma minhas chances foram menores. Para vocês terem uma idéia, talvez a melhor jogada que fiz foi uma tacada em que a branca passou raspando em duas bolas minhas, sem encostar, e caiu na caçapa. Coisa de quem sabe.

Fui ficando desmotivado com a eliminação cada vez mais latente, tanto que a única bola que guardei foi em razão de um erro do adversário. Definitivamente, um jogo sem graça para o público e para mim, que tomei uma verdadeira sova. Novamente, o resultado que todos esperavam, Farofa rolando a oito para a caçapa e eu definitivamente fora”.

Bateu a deprê
A decepção de quem pagou pra participar de uma suruba com as coelhinhas da Playboy e não conseguiu nem ficar pelado se abateu sobre nós. Os olhos marejaram. A voz de Luciano do Valle que ecoava em nossos ouvidos e explodia em nossos sonhos – como nas narrações dos feitos de Rui Chapéu e Roberto Carlos na Bandeirantes – foi sumindo pouco a pouco.

E sumiu. O Cajuru emudeceu. O pênis desceu. A fome bateu. A lágrima desceu. Não nos restava outra alternativa que não nos retirarmos à francesa, pelas portas do fundo. Contudo, surpreendentemente, um incrível fenômeno de socialização tomou conta do ambiente antes de nossa partida. Tal qual um site Bem na Foto underground, todo mundo quis eternizar o momento com os dois jovens forasteiros.

Abud, Bróder Desconhecido e Pugliesi

Abud, Bróder Desconhecido e Pugliesi

Para piorar, segundo os especialistas, o ganhador seria conhecido somente no começo da tarde de domingo. Como eu e Abud estávamos na função desde às 17 horas, não teríamos condições de suportar a maratona. Lamentável, claro. As latas de Kaiser vazias se multiplicavam, a competição se acirrava, e a madrugada prometia fortes emoções. Infelizmente, tivemos que nos despedir da rapaziada, desejamos sorte e puxamos o carro. Lá fora, tudo em paz na quebrada e tudo em ordem conosco. Cravada na mente, a curtição de uma noite marota de sinuca.

O Rei do Cajuru
Conforme combinado, ativei meus contatos para saber do desfecho do torneio. Primeiro, João Santos reportou. “Fiquei em sétimo, ganhei oito partidas. Quando a gente ganha é uma adrenalina fora de série, mas quando perde bate o desânimo. Saí de lá meio-dia morto de cansado. Não sei quem venceu”.

Ficou a pergunta, que seria respondida pelo organizador Joãozinho, na ligação seguinte. A disputa terminou às quatro horas da tarde de domingo, com impressionantes 1200 minutos de duração. Tudo na santa, mesmo quando o álcool e o sono castigavam sem dó a moleira. “A organização foi uma beleza, sem problema nenhum”, contou.

Mas de uma vez por todas, quem ganhou? Você deve estar se perguntando. Então toma. “Foi o Márcio”, saciou o organizador do evento. Obviamente, aqui cabe um parêntese. Um insight que finalmente bateu ao saber do resultado. Quando o nome de Márcio chegou aos meus ouvidos tudo finalmente fez sentido.

Eu sei, nunca fui um artista no manejo dos tacos, mas algo me dizia que a minha precoce eliminação haveria de ser escrita nas estrelas. Oras, perdi para o campeão! O que numa conta simples crava meu nome na posição de segundo colocado na prática.

É, amigo. Os Deuses da Sinuca gostam de uma peraltice. Reservaram para a primeira rodada, quando ninguém imaginava, a verdadeira final. Vencendo a íngrime subida que encontrou em mim, Márcio pôde sossegar e descer na banguela o caminho rumo ao título.

O cartaz, para a posteridade

O cartaz, para a posteridade

Com o dono dos 500 reais ao telefone, provoquei. “Senti que forcei você a melhorar muito na primeira rodada. E isso te garantiu o título, né?”. Simpaticamente, Márcio respondeu. “Pois é, foi por isso que consegui ganhar”. E a grana conquistada não vai reforçar o orçamento da fera, mas sim alimentar mais partidas valendo dinheiro. “Eu me considero jogador profissional. Só jogo apostando. E como estou sempre na ativa ganho mais do que perco”, revelou.

Além dele, chegaram nas semifinais Miguel, Adílson e Luizinho, com o último sendo derrotado na grande decisão. “Ele cometeu um vacilo, eu matei minhas bolas adubadas, descolei a oito e pronto”, declarou Márcio, revelando a manha da vitória.

junho 27, 2005

Achados na noite

Em seu estupendo álbum “Perdido na Noite”, Agnaldo Timóteo embalou num bolero uma bela lição…

“Somos amantes do amor liberdade. Somos amados por isso também. E se buscamos uma cara metade. Como metade nos buscam também. Estou perdido. Estamos perdidos. Mas a esperança ainda é real. Pois quando menos se espera aparece uma promessa de amor ideal.”

Eram jogados 1976 e Timóteo ainda não encontrara o basta definitivo para seu coração em frangalhos. Estava perdido na noite de muitos, sempre à procura da mesma ilusão. Aparentemente, havia deixado de lado as idéias caóticas de um ano antes, reveladas em “Galeria do Amor”, quando o polêmico negrão confessou ter flertado com emoções diferentes, ao freqüentar o célebre corredor da viadagem carioca. Mas seguia desgraçado da cabeça, se largando forte na náite.

Quase 20 anos depois, caso ele ainda brutalizasse em canções as chagas de seu peito vazio, agora num fim de feira total, humildemente eu lhe dirigiria uma palavra amiga: “Bróder, deixa com o béque…”.

O ninho do amor

O ninho do amor

Sem demora, partiríamos em alta velocidade para a Travessa da Lapa, quase esquina com a Sete de Setembro, onde reside o Clube dos Solitários. Local este, que recebeu a última expedição da minha pessoa e da pessoa de Rodrigo Abud. Nos fizemos presentes nessa tal fortaleza do amor, espaço para, enfim, organizar as tampas em suas respectivas panelas. Curiosos pela notável fila de velhinhos que se aglomeram diariamente defronte à casa, fomos lá ver qual é.

Os contatos com o proprietário da brincadeira estavam todos agilizados por Abud, que não se limitou a acertar a pauta, foi muito além, e com apenas cinco minutos de conversa telefônica já possuía fortes laços de amizade com o mesmo. Seu nome: Rosaldo Pereira, um entusiasta do love.

Derrubou é pênalti

Aportei antes em nosso destino. O frio castigava a capital paranaense, e dada a meia dúzia de cinco ou seis que enfrentavam o sereno na porta do estabelecimento, nada parecia indicar um embalo de sábado à noite. Mas nós sabemos que os velhinhos são ordeiros, organizados, pontuais e incansáveis. Portanto, quando adentrei ao gramado em nada me estupefaceei ao constatar que, naturalmente, lá estavam todos a bailar. Minutos depois, Abud estava ao meu lado e a configuração de dupla foi acionada.

Rapeize riscando o salão

Rapeize riscando o salão

Não era um público de Fla-Flu, mas até que a terceira idade se adonava bonito do local. O clube é composto por dois ambientes distintos. Vencida a entrada, um grande salão recheado com mesas cobertas por toalhas brancas. E conjugado, um espaço para a dança com o palco e o bar.

Destacado no cenário, um pequeno bunker à direita do palco, que de longa distância parecia ser a casinha do DJ. Descobrimos ser o paradeiro de ninguém menos que Rosaldo Pereira, não somente o responsável pela burocracia do acontecimento, mas também por toda a programação musical.

Profissão Cupido

Durante 10 anos, a fera trabalhou na Rede Globo de Televisão, marcou presença na OM, CNT etc. Milita no rádio há mais de 30, atuando em atrações musicais e jornalísticas. Atualmente, comanda o programa “Em nome do Amor” na rádio Colombo, mega sucesso no ramo casamenteiro. No scout, simplesmente 3.800 enlaces oficiais registrados desde janeiro de 1982, data em que foi ao ar pela primeira vez.

Tanto sucesso fez a audiência sentir a necessidade da realização de uma celebração, e daí nasceu a idéia de reunir os ouvintes num baile. No dia sete de setembro de 1990, o Clube dos Solitários abriu as portas. Passados quase 16 anos, atingiu a marca de 640 casamentos sacramentados.

Rosaldo Pereira, o DJ casamenteiro

Rosaldo Pereira, o DJ casamenteiro

“Todo mundo pedia uma festa, um baile, e o clube supriu essa vontade de ter um ponto de encontro dos ouvintes do programa”, relembra Rosaldo. O evento foi crescendo e, na medida da participação das pessoas, carecendo de locais mais amplos. Sendo assim, mudou de endereço diversas vezes, mas na Travessa da Lapa já são seis anos ininterruptos.

Como apresentador do programa e organizador do baile, Rosaldo não poderia se furtar aos convites para ser padrinho dos casamentos arrumados. Em virtude disso, por muito tempo morreu numa grana nervosa pra agradar a turma. “Gastava muito dinheiro sendo padrinho de tanto casal, aí passei a recusar gentilmente os convites”, explica o Santo Antônio das Araucárias.

Curiosamente, o pai da matéria nunca foi um coração solitário. Rosaldo é casado há 25 anos, e conta com a ajuda da esposa que trabalha no bar. A casa abre de quarta a domingo, e o ingresso vai de dois a cinco cru-crus, dependendo do horário. Sábado é dia de música ao vivo, sempre com uma banda diferente. E quando o som mecânico comanda, ele ferve a pista com country, pagode, forró, xóte, boleros, vanerão e derivados.

Com picos que chegam a 940 pessoas, dá pra descolar um numerário gostoso com o evento. Porém, não o suficiente para tocar a vida só dando uma de cupido. “Não posso negar que tenho um retorno financeiro, mas temos uma série de gastos, como com segurança, por exemplo”, revela.

Bandinha esmerilhando

Bandinha esmerilhando

Os mais de 4.440 casamentos no cartel proporcionaram histórias incríveis das pessoas que apostam nas cartas para encontrar o grande amor de suas vidas. Dentre tantas, Rosaldo destaca uma, realmente, muito curiosa. “Uma das passagens mais incríveis foi a de um casal que ficou cinco meses trocando cartas através do programa, marcaram de se conhecer e quando chegaram ao encontro descobriram que eram vizinhos de frente”.

Passeando de Fusca

O desenrolo com o MC, DJ e chefão do esquema foi muito agradável, e sua pequena enterprise musical era mesmo aconchegante, mas eu e Abud carecíamos de um pouco de adrenalina correndo nas veias. Nada melhor que dar aquela riscada nos tacos para ficarmos bem mais à vontade. Para tanto, contamos com a colaboração de duas nobres senhoras, que gentilmente nos concederam o prazer de um breve saracoteio.

Muito bem acompanhados

Muito bem acompanhados

Foi quando a mão de Margarida repousou suavemente sobre a palma da mão de Abud, ao mesmo tempo em que Marili Lúcia apresentou-se para ser o meu par. Pouco afeitos aos compassos gauchescos, mandamos um magro dois por dois pra não machucar os pés de tão simpáticas companhias. No ligeiro papo sobre amenidades, descobrimos serem as duas descasadas e à procura de um namorico de portão. Agradecidos pela importante introdução ao mundo da dança, nos despedimos e deixamos as duas senhoras novamente livres para voar.

White Dance Machine

Enquanto flanávamos pelo salão, atentamos para uma figura, aparentemente o responsável por distribuir os coletes na pelada, tamanha era a categoria com que se portava. Seu nome: Wenceslau. Não tinha tempo ruim. Mudava a faixa e lá estava ele, sempre acompanhado, circundando o campo.

Ele parecia ter fugido de um parque de diversões com atrações humanas, devido à precisão cirúrgica com que executava seus movimentos, tanto indo como vindo, sempre de forma absolutamente idêntica. Sua despigmentação e o repertório enxuto de breaks nos sugeriu um condinome para Wenceslau: o Carrosel Branco.

Wences e seu par

Wences e seu par

Aguardamos os três segundos regulamentares, tempo em que Wenceslau costumava ficar sem par, para interpelá-lo. Rapidamente, descobrimos ser ele mais do que um dançarino de presença, mas, principalmente, uma figura simpaticíssima. Habitué do clube – são cinco anos no currículo – quer casar. “Sempre pinta uma namorada aqui, outra ali, mas eu estou procurando um compromisso sério”, declarou.

Na sequência, perguntamos qual o ritmo preferido dele, visto que se tratava de um bailarino contumaz. “De 42 a 45 anos”, despombalizou, ao se referir à faixa etária que procurava, não dando bola pro questionamento. Pois então tivemos que insistir: qual tipo de dança você mais aprecia? “Domino mais o xóte e o vanerão”, atacou.

Ralando as partes

Estava tudo numa relax, quando não mais do que de repente, sentimos um forte fluxo de libido no ar. E foi só bater os olhos para sabermos de onde era emitida a potente onda sexual. Francisco e Consuelo transpassavam as pernas com energia, encaravam um ao outro com olhos de sedução, se arranhavam felinamente, escancaravam ao mundo que o solavanco ali era somente uma questão de tempo e local. Formavam, de longe, a dupla mais sensual.

The most sensual couple

The most sensual couple

Abordados para a execução dos flashs, Consuelo questionou Abud se ele não era protético, não se sabe com qual fundamento. De certo, apenas que a quarta-zaga e a zaga-central de Francisco estavam um tanto quanto desguarnecidas. Devidamente clicados, os dois voltaram aos movimentos de ralação.

A banda Bela Vista já enchia as caixas com a sonoridade dos pampas quando eu e Abud decidimos mudar de ambiente, desfrutar um pouco de recolhimento no lounge. Sentamos à mesa, passamos a filmar a rapaziada idosa interagindo animadamente, entre uma cervejinha e outra.

Registre-se, o público do clube não é composto apenas daqueles que utilizam as portas traseiras do transporte coletivo. Um número razoável de jovens também se fazia presente, mas a terceira idade comanda, especialmente no domingo.

Com o adiantado da hora, saciados em nossa curiosidade, decidimos nos evadir. Os corações devidamente abastecidos de alegria. E, após conhecer o clube, uma velha canção dos Originais do Samba bombando na mente: “se você saiu por aí e não conseguiu arranjar alguém, deixe que alguém saia por aí e consiga arranjar você”.

julho 30, 2004

Rodízio de transa

Uma breve introdução…

– E aí, Abud? Descolei aquele esquema, tá pronto?
– Eu nasci pronto.

Com esse brevíssimo diálogo, eu e meu dileto amigo Abud refizemos nossa parceria e nos jogamos novamente na night curitibana. Para quem não sabe, parceria que já rendeu uma série de momentos memoráveis e que há tempos não pisava o gramado. E que, nesta oportunidade, seria colocada à prova em mais uma missão extremamente ousada. Após conferirmos a desgraceira de um cinema pornô, e o skindô de um concurso carnavalesco de garotas de programa, chegava a hora de quebrar um novo paradigma.

Atentos às preferências do consumidor, de botuca nas nuances do mercado, optamos por mais uma incursão ao inebriante mundo da sacanagem. Afinal, o povão gosta mesmo é de putaria. E transferindo os conceitos ultramodernos da televisão brasileira para o universo blogal, compactuamos em mandar às favas os escrúpulos. Meio olho no conteúdo, um e meio no Ibope. Dança Mallandrinha!!

Para tanto, optamos por uma matéria de apelo sexual incontestável — ou seria de incontestável apelação sexual? Tanto faz. Traçamos nosso destino na quarta-feira, dia 24 de junho: comparecer em uma noite na mais famosa casa de swing de Curitiba. Para evitar qualquer problema, não revelarei o nome do estabelecimento. Digo apenas que é num bairro totalmente desconhecido de Curitiba, famosíssimo pelos restaurantes italianos. Chamemos então o local de o Templo Máximo da Comunidade Swingueira.

Para os desconhecedores de tal prática esportiva, o swing se caracteriza pela troca de parceiros entre casais nas relações sexuais. Uma noite em que os casais permitem-se realizar as mais diversas fantasias, sem que isso influencie na relação afetiva, uma experiência absolutamente carnal. Inconcebível para a maioria, notadamente se trata de uma modalidade cada vez mais praticada. Segundo minhas aferições teóricas sobre o tema, o prazer está em compartilhar as experiências extra-oficiais com sua parceira, apenas observando, ou mesmo atuando.

Aprumando o nosso por ali

Liguei para o Templo Máximo da Comunidade Swingueira e confirmei minha presença e do Abud na noite de quarta-feira, a única aberta aos homens e mulheres solteiros. As vagas são limitadas e a procura é grande. São cobrados 80 reais de entrada para cada single, o casal também é 80 mangos, incluindo o couvert e um jantar.

Shows de strippers, masculino e feminino, também estão na conta. Lá dentro, paga-se apenas o que consumir. A casa abre às 21hs e fecha por volta das 4hs. Obviamente, não é permitida a entrada de nenhum tipo de instrumento de gravação, sendo vetado o uso de máquina fotográfica.

Respeitadas todas as esferas burocráticas e diplomáticas, finalmente estávamos aptos a realizar a aventura. Quando do acerto da reserva, me foi alertado pela moça que deveríamos trajar roupa esporte fino. Um empecilho estava criado. Todos sabem que somos do povão, da massa, galera, geral, da turma do gargarejo.

Como tali, possuímos apenas um par de sapatos, utilizado em todos as formaturas, casamentos, batizados, exames de análises clínicas e entrevistas de emprego os quais somos convocado. Por tratar-se de calçados de nobre linhagem italiana, cai bem utiliza-los apenas com terno. Resultado, ou iríamos de terno, ou teríamos de emprestar um calçado mais adequado para um evento sexual dessa magnitude.

Questionado pela minha pessoa sobre o assunto, Abud, top five em matéria de elegância na noite, não titubeou em apontar o terno como a vestimenta perfeita para ocasião. Sapato, calça, paletó e gravata nos tornariam cidadãos respeitáveis, um subterfúgio perfeito para desviar a atenção dos presentes em nossas faces jovens, nos emprestar um ar responsável.

Viatura nas ruas

Deixei minha residência rumo ao encontro com Abud em local incerto e não sabido. Avistando o jovem, reduzi para terceira marcha, aproximei do meio fio para que o mesmo pudesse saltar espetacularmente e alojar-se em minha possante rodonave com ela em movimento (tudo mentira).

Juntos novamente, enfim nos dirigimos ao Templo Máximo da Comunidade Swingueira. Devido ao adiantado da hora, e como não seria possível registrar as peraltices no local, celebramos a nossa empreitada com o registro do joiado e psicodélico portfolio que vocês podem conferir.

Xoxando inside

Penetrando no mundo desconhecido, seguimos as orientações, paramos o carro na entrada, sinal de luz obrigatório, e fomos recepcionados pelo manobrista e pela promoter da casa. Recebemos as fichas de consumação, revelamos nossa condição de estreantes e fomos gentilmente apresentados aos diversos recintos do clube. Para os solteiros, são quatro áreas de livre movimentação.

Na parte intermediária, uma decoração de gosto pra lá de duvidoso, com fitas e arcos fosforescentes por todo o teto. Parecia uma instalação do sistema solar numa feira de Ciências do primeiro grau, ou um Guto Lacaz anos 80 de quinta categoria. Os outros ambientes não dispunham de decoração nenhuma. Aliás, seria totalmente desnecessário. Confiamos na descrição dos ambientes feita pela promoter, afinal, não dava para enxergar porra nenhuma. E é justamente aí que mora o perigo. O Dark Room, por sua vez, é o breu absoluto.

O salão principal e o labirinto recebem uma fraca iluminação vermelha. Segundo a promoter, basta acostumar a vista para enxergar nesses ambientes. Mais tarde, nós entenderíamos que o enxergar a que ela se referia era, no caso, alguns vultos perambulando, fazendo polichinelos, abdominais e flexões de braço numa curiosa e ofegante dinâmica de educação física. Um par de óculos com visão noturna faria furor e elevaria o grau de aproveitamento da incursão a níveis estratosféricos.

Escaneando a turma

Convidados pela simpática promoter, sentamos numa mesa estratégica, localizada num cantinho discreto e aconchegante. Na primeira investida da garçonete, cardápio em mãos, declinamos docemente, postergando o nosso primeiro drink. Estratégia que seria usada ao longo de toda a noite. Fortalecendo a velha máxima que diz:  pobre é uma merda.

Praticamente todas as mesas estavam reservadas, com o nome do casal na plaquinha sobre a mesa,. Aos poucos, toda iam sendo ocupadas, com cumprimentos efusivos entre os mais chegados e o proprietário e gerente do clube. Pouco tempo depois de nos estabelecermos, recebemos em nossa mesa a companhia de Sergião, apeliado de O Professor. Um carioca perdido na noite curitibana. Sérgio nos passou os macetes  com seu carioquês invejável, salientou os limites e perdeu-se na penumbra. Mais tarde, vocês entenderão o porquê do codinome.

É impossível delimitar o perfil dos freqüentadores. Um mix variadíssimo de pessoas de todas as classes, credos, cores e libertinagem à flor da pele. Comprovando toda essa miscigenação maravilhosa desse povo alegre do Brasil. Tem aquela sua vizinha bem apessoada, tem a tia da cantina, o professor de História, a patricinha, o empresário, tem secretária (e como tem), toda a sorte de barangas, gostosas, galãs e tiozões barrigudos para todos os gostos e idades.

Sobre a formação dos casais, baseados no método catadão de avaliação, e contando com nossa capacitada visão periférica, concluímos que, pelo menos metade parece real. Alguns são certamente forjados, entre amantes e possíveis garotas de programa.

Curiosamente, as mulheres andam em bando pela casa. O que não é permitido aos homens, com o objetivo de não intimidar os casais diante de grupos de rapazes com ares de marotagem. A homarada pode ficar, no máximo, em duplas. Por fim, os únicos idiotas de gravata no local eram eu e o Abud.

O responsável pela trilha sonora seguia os mandamentos da cartilha do DJ de zona, brindando os presentes com sucessos dos anos 80, clássicos de Bonnie Tyler, Olivia Newton-John, Donna Summer e dá-lhe Roxette. Até uma Norah Jones escapou nos alto-falantes.

Rango bomba

Servido o jantar, não poderíamos nos deparar com um cardápio mais inusitado: comida mineira. A leve gastronomia de Minas Gerais. Mais inapropriado que isso, só uma feijoada completa.

Quando me deparei com torresmos, tutu de feijão, lingüiças e outros ingredientes desse naipe, imaginei a possibilidade de uma posterior hecatombe fruto da fissão dos flatos detonado pelo solavanco dos corpos. Iniciou-se então a primeira grande experiência meta-tosco-filoso-física da noite. Um prosaico jantar com pessoas que mais tarde estariam chegando, despudoradamente, às vias de facto logo à minha frente. Sensacionalmente surreal. E, conforme a cartilha oficial do novato, participamos do jantar naturalmente, fazendo um social.

Agora é soco-soco-soco

Recolhidos os pratos e talheres, e respeitado um período mínimo para a complexa digestão do jantar, a pista de dança bombou. Sem demora, os casais partiram para um animado bailão. Logo após, foi dada a largada para as brincadeiras, uma seqüência de dinâmicas erótico. Com os casais na pista, começou a brincadeira do chapéu, um misto de dança da vassoura e da cadeira. A primeira oportunidade para os casais realizarem o popular apronchego.

Mulheres passavam o chapéu branco, homens o chapéu preto, quem estivesse com as peças na mão quando a música parasse era desclassificado. No rodizião humano, em alguns momentos pinta o mignon do próximo no teu prato, em outros, o matambre alheio. Agito brilhantemente comandado pelo gerente da casa, empunhando o microfone e revelando toda a sua faceta de animador de auditório e psicólogo amador — ou armador, como queiram.

Em seguida, hora dos shows eróticos. Primeiramente, o consagrado strip feminino. Uma formosa loira, paramentada para festa junina, jogou lenha na fogueira da rapaziada. Em meio à saltos mortais e as tradicionais coreografias, pasmem, incendiou uma senhora que não se fez de rogada e acompanhou a loira no meio do palco numa performance de lesbianismo.

Animação para os homens, animação para as mulheres. Dois muquinhos, muito originalmente travestidos de zorro e motoca, adentraram ao recinto saltando freneticamente e arrancando a roupa para delírio e afobação da periquitaiada. Justo, sem dúvida, ainda mais se considerarmos que, ao contrário da loira, os rapazes não ficaram totalmente nus, poupando o público masculino de suas vergonhas.

Finalizadas as apresentações, adentraram ao recinto rapazes e moças da casa para elevar o moral do pessoal. De nosso posto, eu e Abud, respeitando os limites da nossa condição de iniciantes, pudemos finalmente entender e observar, in loco, o famoso e, muito raro, ninguém é de ninguém. Casais, solteiros, solteiras e profissionais de ambos os sexos recheavam de lascívia o ambiente.

Parecia a grande área numa final de Copa do Mundo com um escanteio decisivo aos 45 minutos do segundo tempo. Um agarra-agarra mútuo, mulheres chargeadas por vários homens, muquinhos apalpados fervorosamente etc e pau. Uma profusão de órgãos pudendos veio à tona sem o menor constrangimento. Tal qual nas clássicas revistinhas de sacanagem de carnaval. Ao vivo.

E se o conceito já havia sido apresentado, foi definitivamente encerrado e registrado com a brincadeira do relógio, um esquema simples, em mais uma dinâmica em duplas. Os casais formam um grande círculo. Som na caixa, a luz se apaga totalmente e assim permanece por alguns bons segundos.

Quando acende, os homens permanecem no lugar e as mulheres seguem como se fosse um ponteiro de relógio. Ou seja, todas as mulheres passam por todos os homens. Acaba a brincadeira quando os pares iniciais se formarem novamente. Embora não tenhamos conseguido ver, não é difícil imaginar o que acontece no escurinho. Um incrível congraçamento de salivas, mãos, peitos, bundas e correlativos.

A hora é agora e vâmo que vâmo

Concluída a aproximação, literalmente, dos casais, com toda aquela interação gostosa e sadia, finalmente a maionese desanda. Boa parte dos presentes desce para o piso inferior e perdem as estribeiras. Embora se passe longe dos limites do sexo convencional, nenhum grande absurdo é cometido. Basicamente, marido, mulher e um rapaz convidado liberam suas fantasias em público.

Geralmente, o guest chama na chincha e o marido, ou a mulher, apenas flagra. E aí está o segredo da parada. O voyerismo. Tão desinibidos quanto os praticantes, os observadores postam-se diante do ato, e ali ficam, mirando sem qualquer tipo de constrangimento. Como cachorro sentadinho em frente ao frango de padaria. Seja no labirinto erótico, abrindo a cortininha, seja no salão principal ou no dark room.

Com um agravante, a seccional da punheta, transtornada com a conjunção carnal desenfreada, manobra abertamente a genitália como se estivesse no sossego do lar. O que faz do território, pouco iluminado, um verdadeiro campo minado. Daí tira-se a importância de saber se movimentar pelos cômodos apertados com extrema malemolência, driblando os possíveis choques com outrem, evitando assim ser abalroado por um pênis em riste ou atingido por um míssil desgovernado de sêmen.

No piso superior, exclusivo para os casais, a ferveção come solta. Impedidos de registrar os acontecimentos, eu e o Abud não poderemos dar certeza do que rola por lá. Sabe-se apenas que saliência pouca é bobagem.

Segue o baile. Dentre as mais variadas performances, destaque para o casal que utilizou a incrível cadeira erótica. A moça, de barriga pra cima, pernas e braços abertos, recebia o motobomba de seu parceiro e, ao mesmo tempo, dois jovens buscavam sintonizar uma melhor frequência girando os mamilos da sacaninha.

De vez em quando, alguns casais vão se desinibindo, outros partem para uma segundinha, terceirinha e, no fim das contas, quase todo mundo entra na dança.

Passado o impacto inicial, não restam grandes novidades em termos de movimentações e performances acrobáticas. Gemidos em maior ou menor escala de excitação, ou fingimento, são responsáveis pelos melhores momentos daí pra frente. O espírito de paudurescência esfuziante inicial vai dando lugar a um meia-vida melancólico. Os desesperados partem para a aventura do popular sopão, tentando garantir, pelo menos, uma tirada de cueca .

Deitando o cabelo

A muáfa de sexo se adona do ambiente, deixando o ar denso e a permanência quase impossível. Com as dependências praticamente esvaziadas, eu e Abud decidimos por finalizar mais um capítulo de nossa história. Descemos para quitar as dívidas. Com o caixa ao lado da saída dos carros, pudemos desvendar um mistério que assolava nossas mentes.

Um coroa estranho passou a noite observando sua companheira, um fiel exemplar da espécie grã-finas curitibanas quarentonas, sendo apalpada pela torcida do Flamengo. Em seu automóvel, a resposta do motivo de estar tão bem acompanhado. Um portentoso Audi, e até aí nada demais. Ao abrir a porta do automóvel, sacamos o pulo do gato. Estava lá um aparelho de DVD rolando um disco dos Bee Gees.

Fechamos a conta, passamos a régua e quando estávamos batendo em retirada, tivemos tempo para uma pergunta para Sergião, O Professor, passando pelo local:

– E aí, quantas?
– Quatro.

Atitude responsa

De tudo que podemos constatar com essa experiência, uma coisa é absolutamente inquestionável. O que poderia indicar um ambiente de vale-tudo, revelou-se muito respeitador e seguro. Como pregam as normas do swing, as mulheres mandam em tudo. Cabe aos homens demonstrar interesse e aguardar pela resposta da mulher.

Caso ela aceite, tranqüilo. Do contrário, a negativa é absoluta e o homem deve aceitar. Em nenhum momento, homem e mulher, são obrigados a fazer algo que não queiram. Sem medo de arriscar, a nível de azaração, paquera, flerte, as meninas sentiriam-se mais seguras no clube do que em qualquer night média. O uso de camisinha, óbvio, é indispensável.